Mulheres são as mais afetadas com a exploração econômica do meio ambiente

Mulheres são as mais afetadas com a exploração econômica do meio ambiente - Foto: Isabelle Azevedo

Mulheres são as mais afetadas com a exploração econômica do meio ambiente – Foto: Isabelle Azevedo

A forma de exploração do meio ambiente em áreas como a produção energética e a extração mineral tem afetado diretamente a vida das mulheres em várias partes do mundo. O assunto foi o mote do painel que ocorreu hoje pela manhã (29), durante o 9º Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), que ocorre no Memorial da América Latina, em São Paulo até o próximo sábado (31). Para facilitar o debate estiveram presentes Daiane Hohn (Brasil), dirigente do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragem); Patrícia Amat (Peru), da REMTE (Red Lationamericana Mujeres Transformando la Economia) e da MMM do Peru, Cecilia Bernardes (Brasil), da MMM-RS, e Karin Nansen (Uruguai), de Redes-Amigos da Terra.

 Falando sobre o modelo energético brasileiro, Daiane Hohn, denunciou que, no Brasil, as empresas capitalistas tem se apropriado cada vez mais da energia enquanto bem público para buscar o lucro e a mais-valia extraordinária. “Isso acontece principalmente com a energia hidráulica”, disse. Segundo ela, hoje construir barragem é um negócio altamente lucrativo. “Ao mesmo tempo em que a energia é produzida, ela é comercializada e os capitalistas já sabem que nos próximos 30 anos já tem garantido o retorno investido”, afirmou.

Para Daiane, são vários os impactos deste modelo energético na vida das mulheres. Um desses impactos está diretamente relacionado com a questão da terra. “As atingidas por barragem não são reconhecidas, justamente por não terem o título da terra. As empresas não as reconhece como atingidas, nem o estado brasileiro”, denunciou. Outras questões levantadas por Daiane são o aumento dos casos de gravidez na adolescência nas áreas de construção das barragens e a prostituição. “Junto com a barragem e a empresa da construção civil vem a empresa da prostituição. Isso tem se repetido sistematicamente nas obras das hidrelétricas”, afirmou a dirigente do MAB, citando como exemplos casos ocorridos em Belo Monte, no Pará, e em Jirau de Santo Antônio, em Rondônia.

 Patrícia Amat (Peru), da REMTE, relatou queas mulheres tiveram um protagonismo grande nas lutas pela mineração. Para ela, a mudança de uma mineração predadora para uma uma mecanização da mineração provocou um aumento do impacto ambiental, o que tem permitido uma presença cada vez maior das mulheres nesse debate. “As mulheres veem sua forma de vida ameaçada”. Patrícia contou ainda que as mulheres tem perdido suas fontes de água e seus territórios. “Entendemos o território não somente como um habitat. O território é um lugar onde os povos fazem a gestão dos recursos. É uma perspectiva viva. A lógica do extrativismo é ignorar essa realidade”, afirmou.

Cecília Bernades, da MMM-RS, trouxe para o debate a importância de constituir uma soberania energética que permita as mulheres não apenas questionarem o modelo de energia, mas que possa garantir a construção de experiências que garantam autonomia energética e financeira. Para ela, é fundamental o investimento em políticas públicas para fortalecer o processo local, o que além de tudo geraria uma renda.

 Karin Nansen, de Redes- Amigos da Terra, alerta para as falsas soluções que estão sendo dadas para superar a ideia da existência da dominação econômica sobre a natureza. “São soluções cruéis que devastam o território dos nossos povos”, afirma. Segundo ela, propostas como o REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação) não acabam com as causas do desmatamento, mas são artifícios que se apropriam cada vez mais dos territórios. “Com a economia verde, os processos q tornam a vida possível são privatizados. Dentro dessa proposta do REDD, as florestas não são dos povos, passam a ser gerenciadas por um grande sistema”, avalia. Karin elencou ainda a questão da nanotecnologia como uma falsa solução. “Essas tecnologias todas pertencem as mesmas empresas que geraram a crise. Elas possuem patentes que custam milhões”, avalia.

 Durante as intervenções da plateia, mulheres do Brasil e Argentina denunciaram os problemas ambientais que as mulheres desses países vem sofrendo. Um dos projetos mais emblemáticos, é o caso que está acontecendo na Chapada do Apodi, no Rio Grande do Norte (RN), a MMM está mobilizada contra o projeto Perímetro Irrigado de Apodi, impulsionado pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). Segundo Tatiana Muniz, da MMM-RN, “este é um megaprojeto que mata a terra e as famílias que ali estão”. 

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  1. Intervenção urbana – A natureza não é mercadoria, as mulheres também não! | Feminismo em Marcha para Mudar o Mundo - agosto 30, 2013

    […] a luta das mulheres contra a mercantilização da natureza e de seus corpos estava em debate nos painéis do Encontro, no Memorial da América Latina, uma […]

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