Desafios para a despatriarcalização do Estado

LAMBE5-page-001O objetivo da mesa foi pensar a constituição do patriarcado e as possíveis ações para a despatriarcalização através do feminismo. O patriarcado trata-se de uma formação social onde os homens detém o poder sobre as mulheres. Pra Elaine Bezerra, da Marcha de Campinas (SP), há três elementos essenciais para essa discussão. O primeiro é entender a origem da desigualdade social e da opressão das mulheres. Segundo, entender que existe uma base material econômica que sustenta o machismo. Por ultimo, não se pode pensar o patriarcado separadamente do capitalismo, embora ele seja anterior a ele. O capitalismo aprofundou o patriarcado através da divisão sexual do trabalho, do fortalecimento do modelo de família baseada na monogamia para as mulheres e da heteronormatividade. O patriarcado não se trata apenas de uma relação privada, mas também pública, que é reproduzida através da ideologia e da violência, quando são negados as mulheres recursos para sua autonomia financeira, informações sobre seus direitos.
Clarisse Paradis, da MMM de Minas Gerais, destacou o papel das instituições politicas no processo de despatriarcalização. É preciso saber que não se trata apenas de uma mudança politica, mas uma mudança na lógica do Estado. Temos que pensar de que forma pode se dar a relação do movimento feminista com o Estado, pois esse é muito presente na vida das mulheres. As instituições de politicas públicas para as mulheres surgem na década de 40 e na de 80 ganham mais destaque, e para debater sua atuação, há três elementos importantes. O primeiro é que o projeto politico tem que ser progressista para que as políticas para as mulheres sejam efetivas. Além disso, é preciso questionar o papel das igrejas que tem feito militância contraria as pautas feministas e por ultimo entender essa nova conjuntura onde temos muitas mulheres na presidência, o que acaba dando mais destaque as pautas das mulheres.
Conceição Dantas, do Rio Grande do Norte, disse que no Brasil existem duas visões para pensar a politica para as mulheres, que são o viés externo, que trata da organização das mulheres em demandar e o viés interno, que trata da sociedade estar pronta para receber essas demandas. Na América Latina a politica para as mulheres sofre com o baixo orçamento e no Brasil, boa parte delas estão inseridas na Assistência Social. As mulheres rurais são um exemplo de auto-organização, o que gerou a ampliação do orçamento e alternativas para as políticas de igualdade no campo. É importante criar uma rede para acompanhar as ações e executa-las, é preciso dialogar com os Movimentos Sociais para tensionar o Estado que não desconstrói a divisão sexual do trabalho. Mas o patriarcado não pode ser superado através das politicas publicas, para isso é necessário transformar o modelo de Estado, é preciso de táticas e estratégias que altere a correlação de forças a partir da auto-organização das mulheres.

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