Em várias partes do mundo, mulheres resistem contra a expulsão dos territórios

Pinheirinhos, em São Paulo (SP), Província de Teti, em Moçambique, e Chapada do Apodi, no Rio Grande do Norte (RN). Todos estes lugares tem em comum a luta e a resistência contra os grandes empreendimentos que tem expulsado famílias dos territórios e vários lugares do mundo. Hoje (30/8) pela manhã, participantes do 9º Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) partilharam as experiências de resistência das mulheres a estas ofensivas do capitalismo e do patriarcalismo.

Sob os gritos de “Lutar, lutar e resistir pela Chapada do Apodi”, Hilberlândia Ferreira, da MMM-RN, contou sobre a participação da Marcha na resistência ao projeto Perímetro Irrigado de Apodi. Impulsionado pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), o projeto deve expulsar milhares de famílias daquela região para dar espaço ao agronegócio. Segundo Hilberlândia, a organização das mulheres nesse processo, a partir da MMM, foi fundamental para levar o debate do modelo deste modelo agrícola que coloca em risco a autonomia das trabalhadoras rurais da agricultura familiar.

Foto: Isabelle Azevedo.

Foto: Isabelle Azevedo.

Maria Elisângela, da Associação de Mulheres Somos todas Pinheirinhos, de São Paulo, mostrou que as mulheres também tem sofrido com a expulsão dos territórios nas cidades. Em 22 de janeiro de 2012, a Polícia Militar de São Paulo invadiu a ocupação conhecida como Pinheirinho para cumprir uma ordem de reintegração de posse expedida pela justiça estadual.

Ocupado há 8 anos, o terreno do Pinheirinho, onde viviam cerca de 1500 famílias, lutava contra a discriminação social antes mesmo do terreno ser desocupado pela polícia. Segundo Elisângela, as mulheres não tinham acesso à saúde e as crianças não frequentavam a escola. Para ela, só a organização da comunidade poderá mudar a realidade.

Já Nilza Chipe, da MMM de Moçambique, apresentou a realidade de seu país onde o governo local, junto com o governo de outros países, tem explorado os recursos naturais do país. Nilza denunciou o caso de dois projetos. O primeiro, gerenciado pela Vale, tem provocado a expulsão de várias mulheres das suas terras, já que, na maioria das vezes, quem negocia o preço da terra são os homens. Ainda segundo ela, o processo de reassentamento das famílias é muito doloroso. “Não sei quem assenta a minha história, quem assenta minhas vivências, quem assenta minhas tradições”, desabafou.

O segundo caso apresentado por Nilza é o do projeto Pro Savanna, que também tem relações com a Vale, embora seja promovido pelos governos do Brasil e do Japão junto ao governo de Moçambique. O projeto prevê a implementação de monoculturas de soja e cana-de-açúcar e ameaça se apropriar de grandes extensões de terras produtivas de camponesas e camponeses.

Durante as intervenções, mulheres dos estados do Pará, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e de países como a Argentina também denunciaram a forma como as opressões das mulheres nos territórios e relataram casos como a prostituição, perda de sociabilidade e de autonomia das mulheres.

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