A Marcha Mundial das Mulheres como um portal para o espaço público

A batucada, o lambe-lambe, o muralismo, o estêncil, o fanzine, são práticas que constituem um diferencial da MMM: a irreverência. É o que as militantes fazem para “tornar visível, audível e sensível tudo aquilo que está escondido na sociedade”. 

A divisão entre o público e o privado organiza os lugares que os homens e as mulheres ocupam na sociedade. Este dado foi tema da reflexão realizada no debate sobre a ocupação do espaço público pelas mulheres enquanto demanda e prática central do feminismo. Essa oficina fez parte da programação do 9º Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres.

Toda a formulação política da MMM não reverberaria na vida das mulheres se elas já não conhecessem a Marcha. A ocupação do espaço público através das nossas ações de rua cumpre uma tripla função: fortalecer e naturalizar a ocupação do espaço público entre nossas militantes orgânicas; demarcar a identidade do movimento no cotidiano e na memória da população; e, sobretudo, comunicar, convencer e conquistar outras mulheres para o feminismo.

“Nossa forma de ocupação também expressa nosso poder de organização”, defendeu Adriana Vieira, militante da Marcha em Mossoró, interior do Rio Grande do Norte. A batucada, o lambe-lambe, o muralismo, o estêncil, o fanzine, são práticas que constituem um diferencial da MMM: a irreverência. É o que as militantes fazem para “tornar visível, audível e sensível tudo aquilo que está escondido na sociedade”, como afirmou a antropóloga Julia di Giovanni, que também contribuiu no espaço.

batuque

Cortejo feminista: batucada do RN abrindo os trabalhos pela manhã. Foto: Elaine Campos.

O penúltimo dia de atividades do 9º Encontro foi dedicado à discussões e oficinas sobre as nossas práticas, que materializam a formulação feminista da Marcha. Dentre elas, a oficina de muralismo, na qual as militantes compartilharam informações, experiências e construíram – juntas – uma pequena mostra em três tapumes.

O Muralismo é uma forma de expressão artística idealizada e exercitada por Diego Riviera (companheiro de Frida Khalo), no contexto pós-revolução mexicana, e apropriada pela Marcha Mundial das Mulheres. Trata-se de ilustrações simples, pintadas em espaços públicos para comunicar uma mensagem. O principal objetivo do muralismo é que essa comunicação alcance o maior número de pessoas possível, independente da faixa etária ou classe social.

Muitas mensagens importantes têm sido veiculadas no espaço público através do muralismo. É uma arte de rua despretensiosa, democrática, que dialoga e expressa muito do que é a política da MMM.

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