Por um feminismo anti-racista

Mara, militante da MMM em São Paulo, lê o documento das mulheres negras na Plenária Final do Encontro.

Mara, militante da MMM em São Paulo, lê o documento das mulheres negras na Plenária Final do Encontro.

Nós, mulheres Negras Feministas dentro da Marcha Mundial das Mulheres, entendemos que a Marcha é um movimento de construção de um feminismo que propõe mudanças estruturais na nossa sociedade. Neste sentido, trazemos a esta plenária representada por mulheres de todo mundo, este documento com o objetivo de dialogar com os principais temas de discussões da Marcha, tais como.

• Violência contra a mulher;
• Capitalismo patriarcal;
• Economia;
• Autonomia das mulheres;
• Diversidade étnica
• Modelo de desenvolvimento atual; dentre outros.

Tais temas necessitam ser pensados a partir de uma perspectiva racial, objetivando e atualizando as necessidades ancestrais das mulheres negras, levando em consideração a construção histórica dessas sujeitas e de seus ancestrais, consolidando as discussões sobre a problemática de nós mulheres negras como aspecto fundamental da temática de gênero na sociedade mundial e impulsionando o debate sobre a necessidade de adoção e aperfeiçoamento de políticas públicas inclusivas que objetivam o princípio de igualdade de oportunidades.

Dados da PNAD e do IBGE mostram que nós, população brasileira em 2010, era de 189,8 milhões de pessoas, sendo 94,3 negros e negras, ou seja, 49,7% da população brasileira se reconhece negra
A taxa de desemprego entre as mulheres negras é de 12,4%, contra 9,4% de mulheres brancas.
Quanto a linha de pobreza pontua 20% para os brancos e para os negros chega a 41,7%.

Denunciamos o genocídio da população negra, sobretudo, de jovens negros e negras. Enquanto a taxa de mortalidade de jovens brancos decrescem anualmente, a de nossos jovens crescem de maneira alarmante.
Nós, mulheres negras lutamos contra o racismo que é reforçado pelo machismo. Nesse sentido, travamos lutas diárias contra essas doenças sociais.
Atualmente nós mulheres mostramos que continuamos ainda na base da pirâmide em todos os sentidos

Sugerimos que as coordenações estaduais da MMM pontuem suas demandas a partir de :

• Criar um meio de comunicação mais próxima da realidade das mulheres afrodescendentes não só pela internet, pois a maioria ainda não possui acesso digital.
• Uso das rádios comunitárias para chamar as mulheres afrodescendentes para participar dos grupos de estudos feministas.
• Criação de um zine para a comunicação mais direcionada.

• Estabelecer encontros territoriais para que as mulheres negras da base possam estudar e discutir temas e necessidades pertinentes das suas localidades, para que nos encontros nacionais e internacionais da MMM tenhamos argumentos nas discussões principais.

Mulheres negras feministas, presentes no 9 Encontro Internacional da MMM.

São Paulo, 31 de agosto de 2013.

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